Dormi um sono pesado, de cansaço físico e mental. O esgotamento. Desilusão…Acordei e essa chuva…Começo agora, cheia de mim, mais um ciclo. A certeza de que mais uma vez fui além por alguém. Peço desculpas a mim novamente. Perdão! Sinto-me aliviada e esclarecida como nunca antes. Zerada! Com a certeza de que fiz todo o possível, mesmo além do que acredito, além de minhas forças. Está aí o grande erro. Sentir-se aniquilada e traída por si mesma. Arrastamo-nos até aqui, o que não deveríamos ter feito. Confusão de sentimentos que gera angústia. Compromissos, responsabilidades…E tudo já não tem o mesmo gosto. Só ficou a parte chata, dos suspiros cansados.
O pior tirano é aquele que não suporta ver o outro feliz. Cavar, trazer à tona coisas que ferem o outro. Será que isso alivia a alma? Machucar o outro? Vê-lo sangrar?
Adoro vacas! São fortes, lindas e pacíficas. Nunca teria coragem de matar uma vaca. Aquela cara fofa, focinho grande e molhado e olhar meigo. Ainda assim não recuso um bom churrasco! A picanha mal passada, bem sangrenta e macia. Como feito louca, me lambuzo toda! Amo os animais. Adoro as vacas. Mas na hora da carnificina a última coisa que passa pela minha cabeça é a carinha meiga da vaca. O focinho molhado, o grito ou a lágrima que escorre na hora do abate. Somos canibais! Seres violentos por natureza. Nascemos no meio do sangue. Morreremos nos esvaindo dele.
Saber respeitar essa violência, viver tentando compreender esse vazio e fazer com que essa solidão seja minha companheira. Esse é meu desafio.






